domingo, 21 de novembro de 2010

medo



Poema

Eu hoje tive um pesadelo e levantei a-tento, a-tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Ney Matogrosso.

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Porque eu tenho medo de sentir esse medo pra sempre.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Bons conselhos.

Talvez seja a hora de esquecer aqueles rompantes de busca pela felicidade ininterrupta. Aquela busca ofegante por uma felicidade que lhe complete tanto a ponto de você sorrir para o resto da vida. Acabar de vez com a sensação de falta de ar, o medo da solidão, a vontade seguida de frustração de abraçar o mundo e não conseguir. Chegou o momento de dizer a verdade: nada é bom. É impossível sorrir 24 horas por dia e (prepare-se para ouvir:), na maioria das vezes, você é a única pessoa que se importará só com você pelo resto da sua vida – sem intervalos e exceções. Sim.

Talvez seja verdade que a culpada pela infelicidade é essa suprema exigência por uma felicidade que ninguém nunca segurou na mão por mais de alguns minutos. Por isso, recomenda-se fortemente que você pare de caçar essa felicidade dessa forma doentia. É importante que o desejo de encontrar amores perfeitos, trabalhos perfeitos, palavras perfeitas, horários perfeitos, luas perfeitas, corpo perfeito seja deixado para trás. Pare de pedir insistentemente por um final feliz, para as histórias de amor, para o sucesso profissional incondicional e irrestrito. Acostume-se com o que você tem e, com sorte, terá alguns desses momentos sublimes e perfeitos em suas próprias mãos. Não há nenhum mistério.

Os momentos alegres duram no máximo 10 minutos e se vão.

E você? O que vai fazer nos seus próximos 10 minutos de suprema felicidade?

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“Ninguém é feliz. Com sorte, a gente é alegre”

do Filme "A Suprema Felicidade", de Arnaldo Jabor.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A cabeça pesava alguns quilos a mais e o dia coporativamente burocrático lhe doía nas retinas. Apesar do horário de verão que a animava ligeiramente, estava cheia de dúvidas na cabeça e apenas duas ou três certezas.

Foi quando olhou para o céu e percebeu.

Girou levemente a cabeça para o lado esquerdo e reparou que a lua lhe sorria, cercada de um céu já firmado na noite. Respirou fundo e tirou a franja do olho. Já não importava mais...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

1, 2, 3... e começa tudo ouuutra vez. A proposta agora é:

- Gargalhar com mais frequencia
- Respirar fundo sempre
- Trabalhar na minha lista das melhores coisas do mundo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

La propuesta

Te propongo esta noche
llegar a un acuerdo,
un diálogo entre mi cuerpo y tu cuerpo
una conversación sin palabras,
un silencio de proyectos,
que tus dedos interpreten
el lenguaje de mis dedos.
Te propongo, simplemente,
alargar la caricia,
no planear la llegada a la cima
sino navegar con el remo de mis brazos
no utilizar para nada el salvavidas
ni que el tiempo detenga la mirada
dirigida a los botones de tu camisa.
Te propongo un pacto de susurros,
una tertulia de gemidos,
un monólogo de gritos,
que todo lo que no dijimos
en la piel permanezca escrito.
Te propongo una noche interminable,
lenta, muy lenta, tan lenta
que cuando nos interrogue la mañana
no sepamos quiénes somos
ni hacia dónde vamos,
como si aprendiéramos de nuevo a leer
igual que dos niños pequeños,
como si aprendiéramos de nuevo a escribir
sobre el pálido folio de nuestro cuerpo.
Te propongo una lectura corpórea
desde el prólogo de tus ojos
hasta el epílogo de mi boca.

Gloria Bosch

Do ótimo A Dança dos Erros

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

eu prefiro ser desequilibrada

Só ontem me certifiquei: o amor não é para os equilibrados. Definitivamente.

O amor que explode no peito e quando começa não tem hora pra terminar. Encanta e seduz, nos fazendo teimar cazuzamente pelo melhor. Cuida dos detalhes, faz carinho nas circunstâncias, abraça o inviável. Sorri das coisas mais simples. Briga até dizer chega, se necessário para que a paz se faça presente. Carrega pra cima e pra baixo a esperança de estar de mãos dadas com a pessoa amada eternidade afora. Não se importa com defeitos que parecem enormes à primeira vista. Dá vontade de ter sempre aqueles cabelos para acariciar. Inaugura gostos e sensações a cada novo olhar.

Torço, portanto, para que eu continue desequilibrada para sempre. E, quem sabe, ter todos os dias aquele bom dia com a cara amassada do meu lado?

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Brighter than sunshine

Aqualung

I never understood before
I never knew what love was for
My heart was broke my head was sore
What a feeling

Tied up in ancient history
I didn't believe in destiny
I look up you're standing next to me
What a feeling

What a feeling in my soul
Love burns brighter than sunshine
It's brighter than sunshine
Let the rain fall I don't care
I'm yours and suddenly you're mine
Suddenly you're mine
And it's brighter than sunshine

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

deixa o verão pra mais tarde.

Agora a febre é aqui dentro. Não há vacina. Existem raras chances de que eu consiga me libertar disso nesses dias corridos e cheios. O papo com a amiga de longe também foi longe. Os pensamentos viajaram até a lua para tentar achar uma dimensão para o raciocínio. Não há.

Não absorvo mais as leituras, as vozes das pessoas sérias, as campanhas políticas. Não sei mais o que é concentrar-se em mim (o pensamento é fixo em outro). Não escolho mais as fantasias certas e as meias que não rasgam durante os bailes. Não enxergo o que há de errado. Não lembro como é desatar o nó na garganta. Não sei qual é a vacina para isso. Não faço as distinções entre sentimentos dos outros.

É uma revolução do não. Espaçosa e incompreensível.

Me preparo, sim, para um período de cheias. Enquanto não chega, desisto como quem deixa o verão pra mais tarde.

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Não tô muito afim de novidade
Fila em banco de bar
Considere toda hostilidade
que há da porta pra lá

Enquanto eu fujo você inventou
qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
que esse sofá tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde

(Deixa o verão pra mais tarde, R. Amarante)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

falta luz e sobra pensamento idiota

A luz acabara mais uma vez enquanto chegava em casa. Suspiro. É um misto de vontade de xingar a companhia de energia com desejo de chorar porque alguma coisa poderia ter dado certo naquele dia. E o jeito de subir as escadas com a iluminação do celular vagabundo. E o toque nas paredes geladas. E o tropeço naquele degrau fininho que está sempre ali e insiste em tornar as coisas ainda piores.

É, o dia foi um bocado difícil, cercado de pensamentos imperfeitos.

Abriu a porta. O janelão da sala permitia que a lua iluminasse a parede branca atrás do sofá. O estoque de velas nas gavetas tinha acabado e não era possível fazer outra coisa senão pensar.

Chegou no quatro apalpando paredes, estante, fotos. Deitada, só lhe restava encarar aquela escuridão imensa. Queria brigar com aquelas idéias absurdas e demais caraminholas que a tinham dominado. Chorar não vai adiantar. ‘Você precisa controlar o que está dentro de você’. Já não era sem tempo. ‘Tomaria um banho agora’, pensou.

Silêncio.

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Olhava pro teto, a escuridão não terminada nunca. E os pensamentos...

O problema era a sua vocação de não se acomodar com o que lhe incomoda. Falar demais, ir além do normal porque alguma coisa lhe dói. Quer resolver tudo numa tacada só. Mobiliza suas forças para dissipar suas dores. Mas... ‘há muitas coisas em seu coração que nunca se deve contar a ninguém’, pensou. Como os pesadelos, quando eles insistem em te assombrar.

Respirou pausadamente, tentando entender tudo e, com sorte, calcular quanto tempo de escuridão ainda teria de suportar. Pensou em amor, flores, cartas, saudades, tristeza e solidão. Tudo na balança, não fazia sentido se chatear tanto.

Silêncio de novo. Mais respiração (como a gente esquece de respirar durante o dia...). E a luz voltou. Bem a tempo de ela entender que o amor é tão maior...

Deu graças a Deus e foi tomar seu banho.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

(a falta de) procedimento.

Na gaveta do criado-mudo, o meu estado de espírito grita. Ao abri-la, vejo aspirinas, um guia de viagens, fotos antigas, poeira e um pequeno livro de poesias aposentadas.
Não sobra tempo para renovar o que há lá dentro da gaveta – quem sabe colocar fotos cheias de sorrisos, um livro feliz e um vaso de flor na estante?
É que tenho me sentido um desastrezinho que se esparrama pelo chão. Um punhado de açúcar que cai pra fora da xícara.
Pre-ci-so de procedimento.