quarta-feira, 20 de maio de 2009

aventuras dela

A única coisa que Laura gosta em seu trabalho é de ficar ao telefone, porque é quando conversa com os jornalistas das grandes redações. Repórteres que beiram rios de aventura e quase caem em abismos de histórias praticamente impossíveis de serem comuns. Muitos deles, os abençoados, presenciaram coisas bizarras, bonitas, nojentas e surreais e são protagonistas de algumas histórias que Laura carrega em seu caderninho (que ninguém nunca viu). Coisas lindas de imaginar...
Quando ela liga pra um antro de jornalistas pedindo pra falar com Fulano, gosta do passa-pra-lá-e-pra-cá do telefone. O Beltrano fala com o Siclano que encontra o Fulano depois de uns minutos. Enquanto o telefone viaja por tantas mãos, ela ouve bem lá no fundo aquele burburinho misturado com sons de teclas das máquinas de escrever modernas, notícias sendo escritas em tempo real, e tudo que está no cardápio da parte verdadeira da profissão. Sente uma pontada de inveja por não estar nesse universo. Mas seus sentimentos transbordam além - olhar de longe é melhor do que pode imaginar.

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Essa é Laura. De hoje em diante eu não vou desgrudar dela-ura.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

I'm in love with how you feel
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oração da manhã

Ando desatinada da vida com o que está fora de controle, o que me escapa das mãos. Grito, mas ninguém ouve. Choro, mas não há acolhida. O que vem por aí me dá um frio gelado na barriga e na testa, esquenta minhas mãos e faz tremer os meus medos.
O jeito tem sido juntar toda minha fé espalhada pra ter forças. Vai dar t-u-d-o certo, não é?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

mãe é mãe

e eis que no meio da mutirão de coisas chatas pra fazer, recebo o email mais doce de todos os tempos:

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De: maria aparecida pinto
Enviada em: quinta-feira, 14 de maio de 2009 17:37
Para: Verena Ferreira
Assunto: SAUDADES

Oi, filha! já tô com saudades....Vc está bem? escute um conselho de MÃE: SEJA FELIZ, filhota.
TE AMO

mãe

quarta-feira, 13 de maio de 2009

E então você se esparramou pelo meu sonho mais uma vez, noite passada. Quieto e sorrateiro, arrancou de mim mais uma dúzia de lágrimas, como pai nenhum faz com um filho. Agora eu pergunto: quando você vai se cansar de colecionar minha tristeza? Além disso, desconfio que cansei de colocar a mesa para comer sozinha. Você não responde meus emails, não atende o telefone ou responde às mensagens. Tento fazer as coisas parecerem menos doídas, mas nada funciona. Decidi que já esfolei demais os pés nessa dança. E pensar que a tendência é piorar...
Se ao menos o meu mundo não estivesse desmoronando e eu não estivesse fazendo nada. No trabalho não enxergo gentileza; em casa, não há tempo; no coração falta pa-ciência.
A sensação que tenho é de estar plantando um oco com relação a você, a mim e a tudo que me cerca. Tento tornar a vida palpável, mas não consigo.
Eu preciso dar um jeito no caos que eu sou.

terça-feira, 12 de maio de 2009

notas do fim de tarde

- O que fazer quando sua lista de livros já passou da célula 489 do Excel; sua seleção de filmes a serem vistos já bateu a casa dos 56 e as suas pendências de trabalho se acumulam linha após linha do seu caderninho batido (sem dar tempo de riscá-las da sua frente)?
Respostas para: verenaferreira@yahoo.com.br

- Só me restam uns dois fiozinhos de paciência com o que sou hoje. Tudo me irrita e meus olhos se enchem de lágrima ao menor sinal de falta de gentileza e de justiça das pessoas.

- O que me consola é que meu livro do momento está MUITO empolgante. A vontade de ficar derramada na cama devorando cada uma daquelas linhas com todos os dentes é imensa. Não seria nada mau pegar uma gripe pra ficar em casa comendo, rezando, amando. Ok, brincadeira!

- Sinto vontade de entrar de férias tipo amanhã, às 8h. Ou melhor, AGORA. Ainda bem que minhas passagens estão compradas (!!!). Se eu tiver sorte, arrumo um emprego maravilhoso em uma galeria de arte em Buenos Aires ou em uma escola de literatura para brasileiros que estão em Santiago. Junho venha logo!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sem paixão não se chupa nem um Chicabom **

Muita coisa já não serve ao gosto que se afina. Buscar leveza tem sido um esporte, mas tem indecisão. Tenta descansar os ombros e equilibrar os pés, mas tudo traz um desconforto doído, suado. Perseguir a paz também tem sido recorrente, mas já não consegue dormir.

Pensa que não existe nada melhor que tomar distância das coisas, olhar de longe, espiar e ajeitar a vida. Mas não tem conseguido fazer isso. Tem hora dói, tem hora passa e assim por diante. Tem hora sente que precisa, tem hora aparece a certeza de ficar sozinha. Tudo nebuloso, escuro, esfumaçado. Outras dores parecem pequenas.

Na corrida para fugir da ameaça do soluço eterno, busca uma resposta acessória. O silêncio olha sempre no fundo dos seus olhos e lhe joga mais de suas dúvidas. E o coração? Anda monotemático.

Pre-ci-sa se acalmar.

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** Frase de Ernesto Sábato

sexta-feira, 1 de maio de 2009

E daí que no Dia do Trabalho, falta trabalho. A tecla F5 virou clichê, mas nada acontece no mundo, a não ser a minha vontade de dormir, de ser mais feliz e de decidir algumas coisas.
Pra ajudar, espio o relógio de hora em hora, mas ele não quer ser meu amigo nem andar depressa.
Mas algumas coisas fazem compensar a agonia:

- dentro de algumas horas, vou encontrar pessoas que sabem quem eu sou, só de me olhar. não vou precisar fazer tipo, nem medir palavras, nem pisar em ovos ou ser corporativamente paulistana.
- a gente vai ver mais uma amiga casar (!).
- vai ter sorrisos, bebidas, narguile, lembranças, violão (se tivermos sorte), fotos inúteis, dancinhas especiais e novidades...


Eu caio no suingue é pra me consolar...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

E daí que ela tirou sua solidão para dançar. Tocava a música preferida quando a cortejou como quem tem segundas, terceiras intenções. Depois de apertá-la forte contra suas coxas, as duas rodaram o salão para orquestrar sentimentos, com sutileza. Um bailado nervoso, intenso, desordenado.
A intenção era pisotear (com classe) o chão feito de ilusões. A cada giro, seu cabelo estapeava o vento, as curvas ajudavam a despedir dores, os quadris espantavam a melancolia. O saculejo desatou nós que tem com a vida, coisas não resolvidas.
Ao longo do vai-vém, tropeçou em algumas culpas, mas não caiu. Aprendeu a conviver com os movimentos negativos.
Acabou a dança, limpou as lágrimas ousadas e ainda sim sentiu um medo. É que até a solidão exige uma companhia ideal.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar. E talvez, se tem que durar, vem renascido o amor, bento de lágrimas.